“II Mulher Tech Sim Senhor” defende igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho e na produção do saber

março 13, 2017

Abertura contou com a participação de alunas do CI e do Colégio da Polícia Militar da PB

 

A defesa da paridade entre homens e mulheres na ocupação de espaços no mercado de trabalho e maior transversalidade do conhecimento produzido pelo sexo feminino, com o compartilhamento desse saber em currículos das escolas, universidades e para todas as esferas da sociedade foram pontos de consenso entre os palestrantes que abordaram o tema “Mulheres na Tecnologia: por que não? , na sexta-feira, 10, durante a abertura do II Mulher Tech Sim Senhor, no auditório do Centro de informática (CI) da UFPB.

O evento, promovido pelo projeto Meninas na Ciência da Computação e uma rede de parceiros, objetiva incentivar o envolvimento de jovens mulheres nos debates e ações organizadas em prol da participação feminina em cursos da área de tecnologia, bem como promover maior conscientização sobre questões relacionadas à igualdade de gênero.

A abertura contou com a participação de mais de cem mulheres, dos três cursos de graduação do CI, e também de trinta estudantes do curso Técnico de Informática para Internet do Colégio da Polícia Militar da Paraíba.

A mesa de debates foi coordenada pela professora Josilene Aires, uma das fundadoras do projeto Meninas na Ciência da Computação, que atua no âmbito do CI e visa estimular o ingresso de alunas nos cursos e carreiras relacionadas às áreas de Ciência da Computação e Engenharia da Computação. Participaram da abertura o pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários (Prac), Orlando Villar; o diretor do CI, Hamilton Soares, e a professora Giórgia Mattos, do Centro.

Para a abordagem do tema “Mulheres na Tecnologia: por que não?” Foram convidadas as professoras Thais Gaudêncio, do CI; Maria Eulina, do Centro de Educação (CE) da UFPB; o psicólogo e professor Maurício Sarmet, do Instituto Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (IFPB), e a fundadora do blog Inspirada na Computação, Lidiane Monteiro.

Os palestrantes, em suas exposições, chamaram a atenção para situações da vida cotidiana, na família e nos primeiros anos da formação educacional, nas quais certos estereótipos femininos são repetidos e apreendidos com naturalidade pelas meninas. Um exemplo dado é que as mulheres têm mais competência para a área de Humanas, o que, ao longo de décadas, contribuiu para reforçar estatísticas que trazem um número elevado de estudantes do sexo feminino em cursos de Serviço Social, Pedagogia, Letras e outros, enquanto os homens lideram as matrículas em áreas de tecnologia.

Essas crenças infundadas, segundo os palestrantes, levam a um total desconhecimento das estudantes do ensino médio sobre o que é um curso de Matemática ou de Computação, por exemplo. Em decorrência, geram limitações nas jovens adolescentes que aspiram chegar à universidade, pois nem sequer buscam investigar a fundo a dinâmica de funcionamento de cursos de Exatas, antes de optar por uma carreira na universidade.

A transversalidade do conhecimento produzido pelas mulheres, uma antiga reivindicação na pauta de movimentos nacionais e internacionais, ainda não se consolidou no Brasil, nem mesmo em instituições de ensino superior, onde as mulheres ganham o mesmo salário que os homens para desempenhar a mesma função. Os participantes do debate reafirmaram a importância de esse tema estar cada vez mais presente nos fóruns de discussões das mulheres em todos os espaços sociais, como forma de assegurar que o saber produzido pelo sexo feminino seja disponibilizado nos currículos escolares, na mesma proporção em que o conhecimento desenvolvido pelo gênero masculino é compartilhado com a sociedade.

A importância da paridade entre homens e mulheres no mercado do trabalho foi outra preocupação manifestada pelos debatedores. Na ocasião, um breve histórico da presença feminina em áreas restritas a homens foi feito durante o debate para explicar algumas desigualdades que ainda resistem no universo profissional. O primeiro voto feminino só foi registrado em 1932. O ingresso em massa da mulher brasileira nos cursos superiores só se deu a partir da década de 70, quando também passou a se tornar uma parcela economicamente ativa na sociedade.

Os palestrantes concordam que nos processos de seleção das empresas, instituições e órgãos públicos é preciso criar mais vagas para mulheres, estabelecendo um sistema de cotas que privilegie também o ingresso da força de trabalho do sexo feminino.

Programação: o “II Mulher Tech Sim Senhor” promoveu também a realização de dois minicursos, na sexta-feira, 10, sobre Arduino e criação de Apps com Appinventor, em laboratórios do CI.

Um calendário de atividades do “II Mulher Tech Sim Senhor” está previsto para o mês de março. As ações serão realizadas também em outras instituições de ensino. O “II Mulher Tech Sim Senhor” está sendo promovido em parceria com o IFPB, Unipê, Campus I e Campus IV da UFPB, Nipam e o grupo de afinidade Women in Engineering do ramo estudantil do IEEE da UFPB.

A programação completa de todo o mês e mais informações você encontra em: http://mulhertechsim.sr/

FONTE: Assessoria de Comunicação do CI